O pacto para qualificar cidadãos, trabalhadores e empresas
Atualização 12.05.2026
O Pacto de Competências Digitais tem como objetivo que 80% da população portuguesa tenha competências digitais básicas até 2030. O modelo assenta em três eixos e envolve entidades públicas, privadas e do setor social em todo o território nacional.
Pacto de Competências Digitais
Literacia Digital
Estratégia Digital Nacional
Em detalhe
Aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 216/2025, o Pacto de Competências Digitais estrutura-se em três eixos de atuação e 17 iniciativas, abrangendo desde a literacia digital básica até à especialização tecnológica avançada, incluindo áreas emergentes como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, robótica e computação em nuvem.
A iniciativa integra o Plano de Ação 2026-2027 da Estratégia Digital Nacional e pretende acelerar a qualificação digital do país, promover a inclusão e reforçar a competitividade da economia portuguesa.
O ponto de partida
Os dados mais recentes mostram progressos na transformação digital, mas evidenciam a necessidade de acelerar o desenvolvimento das competências digitais em Portugal.
Segundo o DESI 2025:
- 56% da população entre os 16 e os 74 anos possui competências digitais básicas;
- Portugal ocupa a 16.ª posição entre os Estados-Membros da União Europeia;
- Apenas 30% da população apresenta competências digitais acima do nível básico.
As metas nacionais para 2030 incluem:
- 80% da população com competências digitais básicas;
- 40% da população com competências digitais acima do nível básico;
- 90% das PME com intensidade digital básica;
- 7% da população empregada em áreas tecnológicas especializadas.
No contexto empresarial, 74,3% das pequenas e médias empresas portuguesas apresentavam, em 2024, um nível básico de intensidade digital, valor que deverá atingir 90% até 2030.
Os especialistas em Tecnologias da Informação e Comunicação representa atualmente 5,2% da população empregada, acima da média europeia, mas ainda distante da meta nacional prevista para o final da década.
Três eixos de atuação
O Pacto organiza-se em três eixos estratégicos:
- Capacitação digital básica;
- Capacitação digital intermédia e avançada;
- Competências tecnológicas emergentes.
A estes junta-se um eixo transversal dedicado à coordenação, monitorização e operacionalização das medidas previstas.
Eixo 1 — Capacitação digital básica
O primeiro eixo prevê programas destinados à população entre os 16 e os 74 anos, com foco no desenvolvimento de competências digitais essenciais para o quotidiano, o acesso a serviços públicos digitais e a participação cívica. Entre as principais medidas destacam-se:
- A criação de uma rede de Agentes Digitais Comunitários;
- Programas certificados de formação digital;
- Ações dirigidas a pessoas com deficiência;
- Iniciativas de proximidade em territórios de baixa densidade;
- Unidades móveis de capacitação digital.
As medidas terão especial incidência junto de cidadãos entre os 45 e os 70 anos, residentes em zonas rurais e com níveis de escolaridade inferiores ao ensino secundário. A meta deste eixo é capacitar cerca de 1,9 milhões de pessoas até 2030.
Eixo 2 — Capacitação digital intermédia e avançada
O segundo eixo dirige-se à população ativa, incluindo trabalhadores e pessoas em situação de desemprego. Os programas previstos incluem:
- O diagnóstico de competências digitais;
- Percursos formativos certificados;
- O apoio à frequência de formação;
- A reorganização da oferta pública de formação digital;
- A criação de planos de formação ajustados às necessidades do mercado.
A Administração Pública será igualmente abrangida por programas específicos de qualificação digital, incluindo iniciativas de aceleração em inteligência artificial aplicadas aos serviços públicos. O objetivo é formar mais de 800 mil pessoas até 2030 e reforçar a produtividade, a inovação e a adaptação do mercado de trabalho à transformação digital.
Eixo 3 — Competências tecnológicas emergentes
O terceiro eixo centra-se na formação especializada em tecnologias emergentes e áreas de elevada procura no mercado de trabalho. Os programas abrangerão competências em:
- Inteligência artificial generativa;
- Automação;
- Cibersegurança;
- Ciência de dados;
- Robótica;
- Computação em nuvem.
A meta definida é qualificar mais de 100 mil especialistas até 2030, garantindo que pelo menos 30% dos participantes são mulheres.
Instrumentos de suporte
O Pacto integra um conjunto de instrumentos destinados a assegurar o acesso à qualificação digital em todo o território nacional. Entre as medidas previstas incluem-se:
- Unidades móveis de capacitação digital;
- Rede de Agentes Digitais Comunitários;
- Carteira digital de formação integrada na app gov.pt;
- Agregador nacional de oferta formativa digital.
A carteira digital permitirá consolidar, de forma segura e interoperável, qualificações, microcredênciais e percursos formativos realizados ao longo da vida. A implementação desta funcionalidade está prevista para o período de 2027-2028.
Calendário de execução
A implementação do Pacto iniciou-se no primeiro semestre de 2026 e prolonga-se até ao segundo semestre de 2030. A coordenação é assegurada pelas áreas governativas responsáveis pela Reforma do Estado, Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, e Educação, Ciência e Inovação, envolvendo entidades públicas, empresas, instituições académicas e organizações do setor social em todo o território nacional.