Plano Nacional de Centros de Dados
Atualização 13.05.2026
Posicionar Portugal como hub europeu de centro de dados.
Plano Nacional de Centros de Dados
PNCD
Estratégia Digital Nacional
Soberania Digital
Em detalhe
O Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD) é um instrumento estratégico que define 15 iniciativas prioritárias para 2026-2027, um período considerado decisivo para a captação de investimento dos principais operadores internacionais do setor.
Integrado na Estratégia Digital Nacional e na Agenda Nacional de Inteligência Artificial, o plano reconhece a capacidade de processamento, armazenamento e circulação de dados como um ativo crítico para a soberania digital, a resiliência tecnológica e a competitividade económica do país.
O desafio que o plano responde
Portugal reúne condições particularmente favoráveis para acolher centros de dados: custos energéticos competitivos, elevada cobertura de fibra ótica, estabilidade geográfica e condições climáticas que favorecem soluções de arrefecimento mais eficientes.
Apesar destas vantagens estruturais, a capacidade computacional atualmente instalada em território nacional permanece abaixo da média da União Europeia. Em paralelo, vários projetos anunciados nos últimos anos têm enfrentado dificuldades de concretização, sobretudo associadas a processos de licenciamento, disponibilidade energética e coordenação institucional.
Este contexto torna-se ainda mais relevante num momento em que a procura global por centros de dados continua a acelerar, impulsionada pela adoção generalizada de inteligência artificial, cloud computing e serviços digitais de nova geração.
Quatro eixos de intervenção
O PNCD estrutura a atuação do Estado em quatro eixos complementares:
1. Regulação e Governação: A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) passa a assumir o papel de ponto único de contacto para investidores, centralizando a articulação entre entidades públicas e promovendo maior previsibilidade nos processos. O plano prevê igualmente a definição de prazos máximos de licenciamento, bem como a harmonização de critérios técnicos e administrativos entre as diferentes entidades licenciadoras.
2. Energia e Infraestrutura: Está prevista a identificação e desenvolvimento de zonas pré-planeadas para instalação de centros de dados, com acesso antecipado a infraestrutura essencial, incluindo ligação à rede elétrica. Este eixo inclui ainda articulação com a Redes Energéticas Nacionais (REN), o reforço da eficiência energética e a promoção da integração de fornecedores nacionais na cadeia de valor do setor.
3. Procura e Mercado: O Estado pretende dinamizar a procura através de uma estratégia nacional de cloud soberana, reforçando simultaneamente a atração de investimento internacional. Será igualmente criado um ponto único de informação para investidores e analisados mecanismos de participação pública em projetos considerados estratégicos para o país.
4. Território e Ecossistema: O quarto eixo assegura que a expansão da capacidade digital gera impacto positivo nos territórios onde os projetos se instalam. As medidas incluem o desenvolvimento de polos tecnológicos e académicos, criação de emprego qualificado e mecanismos que garantam retorno económico e social para as comunidades locais.
Uma visão estratégica para além da infraestrutura
Na apresentação do plano, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, sublinhou que o objetivo nacional vai além da simples instalação de infraestruturas:
“Não queremos apenas ter data centers. O objetivo estratégico é criar valor económico, científico e tecnológico a partir dessa capacidade.”
A visão do Governo passa por posicionar Portugal como plataforma europeia para serviços digitais avançados, investigação científica e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. A combinação entre energia renovável, conectividade internacional e estabilidade institucional constitui uma vantagem competitiva relevante neste contexto.
Impacto económico esperado
As projeções associadas ao PNCD apontam para um impacto económico significativo.
Por cada gigawatt adicional de capacidade instalada, estima-se:
- Cerca de 8 mil milhões de euros em investimento inicial;
- Até 16 mil milhões de euros de impacto económico anual;
- Criação de aproximadamente 3.300 empregos diretos;
- Contributo positivo relevante para a balança comercial nacional.
Portugal conta atualmente com mais de 2,6 GW de capacidade de TI planeada, com a região de Lisboa a concentrar uma parte significativa deste pipeline de investimento.
Um ativo estratégico para a próxima década
Com este plano, Portugal procura afirmar-se como um dos principais hubs europeus de infraestrutura digital, criando condições para captar investimento, acelerar a transição tecnológica e garantir maior autonomia estratégica num mercado cada vez mais competitivo.