A educação digital na Europa está a entrar numa nova fase
Atualização 06.07.2026
União Europeia e Portugal apostam na literacia digital para todos.
Educação Digital
IA
Competências Digitais
Estratégia Digital Nacional
Pacto de Competências Digitais
Em detalhe
A educação digital é uma prioridade estratégica para a União Europeia e para Portugal. Num contexto em que a tecnologia está cada vez mais presente na escola, no trabalho, nos serviços públicos e na vida quotidiana, o desenvolvimento de competências digitais tornou-se essencial para garantir mais autonomia, inclusão e participação informada dos cidadãos.
Este foi também o tema central do evento anual do European Digital Education Hub (EDEH), uma iniciativa da Comissão Europeia integrada no Plano de Ação para a Educação Digital, que reúne entidades públicas, escolas, especialistas e organizações ligadas à educação em toda a Europa. Sob o lema “Collaborate for Impact: Advancing European Digital Education and Skills”, o encontro destacou a importância da cooperação europeia para reforçar a educação digital e preparar melhor alunos, professores, trabalhadores e cidadãos.
A mensagem é clara: as competências digitais são hoje indispensáveis para estudar, trabalhar, aceder a serviços públicos, comunicar em segurança e participar de forma mais autónoma na sociedade.
Inteligência artificial na educação
Um dos temas em destaque foi o novo Quadro de Literacia em Inteligência Artificial (AI Literacy Framework), apresentado pela Comissão Europeia e pela OCDE, com o apoio de especialistas internacionais, incluindo a organização CodeAI, antiga Code.org.
Este quadro destina-se ao ensino básico e secundário e pretende apoiar escolas, professores, dirigentes educativos e decisores políticos na integração responsável da inteligência artificial em contexto educativo. Está organizado em torno de quatro domínios de competências:
- Interagir com a IA, para compreender como estas ferramentas funcionam e como podem ser utilizadas;
- Criar com IA, explorando o seu potencial no apoio à aprendizagem e à produção de conteúdos;
- Gerir a IA, promovendo uma utilização segura, ética e responsável;
- Conceber e moldar a IA, incentivando uma participação crítica na forma como estas tecnologias são desenvolvidas e aplicadas.
O quadro é acompanhado por exemplos práticos para a sala de aula, permitindo transformar princípios orientadores em atividades concretas.
Segundo a Comissão Europeia, cerca de 68% dos adolescentes já utilizam ferramentas de inteligência artificial, embora muitos sistemas de ensino ainda não disponham de abordagens estruturadas para integrar esta tecnologia nos currículos. A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para os Direitos Sociais e Competências, Roxana Mînzatu, sublinhou que a literacia em inteligência artificial é uma competência fundamental para os jovens e que a sua utilização responsável deve começar na escola.
A inteligência artificial pode apoiar o ensino e a aprendizagem, mas a sua utilização deve assentar em regras claras. É fundamental proteger os dados pessoais, promover o pensamento crítico, combater a desinformação e garantir que estas ferramentas são usadas de forma ética, segura e responsável.
Competências digitais ao longo da vida
A transformação digital exige competências em várias áreas, desde a utilização básica de ferramentas digitais até domínios mais especializados, como inteligência artificial, ciência de dados, robótica, cibersegurança e computação em nuvem.
Por isso, a formação digital não deve limitar-se à escola ou ao início da carreira profissional. Deve acompanhar as pessoas ao longo da vida, com respostas adaptadas a diferentes idades, profissões, níveis de conhecimento e necessidades concretas.
No âmbito da Década Digital 2030, a União Europeia definiu como meta que 80% dos adultos tenham pelo menos competências digitais básicas. Esta meta reforça a importância de capacitar a população para utilizar tecnologias, plataformas e serviços digitais com maior confiança, autonomia e segurança.
O Pacto de Competências Digitais
Em Portugal, esta prioridade está ligada à Estratégia Digital Nacional (EDN) e ao Pacto de Competências Digitais (PdCD), aprovado pelo Governo através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 216/2025 e integrado no Plano de Ação 2026-2027 da EDN, também aprovado em Conselho de Ministros (Resolução n.º 214/2025).
O Pacto está estruturado em quatro eixos de atuação:
- Capacitação digital básica;
- Capacitação digital intermédia e avançada;
- Competências tecnológicas emergentes;
- Eixo transversal dedicado à coordenação, monitorização e operacionalização das medidas previstas.
O objetivo é capacitar 2,8 milhões de portugueses até 2030, dos quais cerca de 1,9 milhões em competências básicas, 800 mil em competências intermédias e 100 mil em competências avançadas. As medidas incluem a criação de uma rede de Agentes Digitais Comunitários, unidades móveis de capacitação digital e uma "carteira digital de formação" a integrar na aplicação Gov.pt, com particular atenção a grupos vulneráveis, zonas rurais e cidadãos entre os 45 e os 70 anos com escolaridade inferior ao secundário.
Capacitar para incluir e transformar
A educação digital é hoje uma prioridade europeia e nacional. A tecnologia faz parte da escola, do trabalho, da economia, da administração pública e da relação entre a Administração Pública e os cidadãos.
O objetivo é claro: promover a inclusão digital, capacitar os cidadãos, apoiar empresas e instituições na sua transformação digital e garantir que novas ferramentas, incluindo a inteligência artificial, são utilizadas de forma segura, responsável e orientada para o interesse público.