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Administração Pública Portuguesa na era da Inteligência Artificial em 2035

Atualização   08.10.2026

4 minuto(s)

Quatro cenários para a Administração Pública na era da Inteligência Artificial em 2035.

Inteligência Artificial

Prospetiva

Administração Pública

Em detalhe

Como será a Administração Pública Portuguesa em 2035, quando a Inteligência Artificial (IA) estiver presente na maioria dos serviços? A resposta depende menos da tecnologia e mais das decisões tomadas no momento atual. Esta é a principal conclusão do estudo "Administração Pública Portuguesa na Era da IA em 2035", elaborado pela Equipa de Estratégia e Prospetiva da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE). 

O estudo não questiona a adoção da IA pelo setor público, identifica as condições que podem conduzir a uma Administração Pública mais eficiente, transparente e legítima, em vez de uma Administração mais dependente e opaca.  

 

Quatro tendências no futuro 

Este estudo resulta da análise de 51 forças de mudança, da realização de entrevistas a 26 especialistas de várias áreas, da aplicação de um inquérito e da realização de dois workshops participativos. 

O estudo parte de quatro tendências que irão, independentemente das escolhas feitas, marcar o futuro: 

  • A aceleração da IA generativa e da decisão automatizada; 
  • A crescente exigência regulatória europeia, em particular com o AI Act; 
  • O envelhecimento dos trabalhadores da Administração Pública; 
  • A concentração do mercado de infraestruturas de IA num número reduzido de fornecedores globais. 

A estes desafios somam-se outros, nomeadamente o término do financiamento do PRR, a exclusão digital e a qualidade dos dados públicos. 

 

Duas perguntas que decidirão o futuro 

Os cenários assentam em duas questões fundamentais. A primeira questão é saber quem detém a autoridade para tomar decisões públicas: se esta continua ancorada na responsabilidade democrática ou se está a ser progressivamente transferida para os sistemas algorítmicos. A segunda questão é se a IA é utilizada para aumentar a capacidade humana ou para a substituir. 

A partir do cruzamento destas duas questões, surgem quatro futuros possíveis: 

01Estado que governa: a IA reforça o trabalho dos funcionários públicos e as decisões continuam a ser humanas, explicáveis e passíveis de contestação;
02Administração Pública eficiente: os serviços são mais rápidos e baratos do que nunca, mas a supervisão humana torna-se residual e os casos que fogem à norma ficam sem resposta; 
03Automatização sem controlo: os algoritmos decidem não por decreto, mas por acumulação de omissões, e a Administração Pública deixa de conseguir compreender os seus próprios sistemas;
04Competência sem soberania: os trabalhadores são altamente qualificados, mas as infraestruturas tecnológicas não pertencem ao Estado, podendo ser alteradas pelos fornecedores. 

 

Como o estudo sublinha, nenhum destes cenários é uma previsão nem é inevitável, mas todos são possíveis. 

 

A janela de decisão é curta 

Em todos os cenários há um padrão comum: o momento crítico para decidir chega antes dos problemas se tornarem visíveis. Quando os efeitos começam a ser visíveis nos indicadores, a capacidade para corrigi-los pode ser muito limitada. 

Por conseguinte, o estudo realça cinco implicações estratégicas: 

  • As decisões sobre governação, contratação e capacitação devem ser tomadas antes da implementação em larga escala; 
  • É necessário equilibrar a eficiência imediata com a capacidade de supervisão a longo prazo; 
  • A dependência tecnológica externa é o risco estrutural mais subestimado; 
  • Capacitar os trabalhadores para questionar os sistemas é tão importante quanto os próprios sistemas; 
  • O fim do PRR transformará os investimentos em custos correntes, exigindo um planeamento financeiro atempado. 

 

UM INSTRUMENTO PARA REFLEXÃO  

Mais do que antecipar o futuro, é apresentado um conjunto de perguntas que permitem a cada organismo avaliar o cenário para o qual a sua trajetória atual aponta, em áreas como a governação, a contratação pública, o financiamento, a capacitação e a inclusão. 

Como o estudo conclui, as escolhas que determinarão o futuro da Administração Pública na era da IA não são, na sua essência, tecnológicas. São escolhas políticas, contratuais e organizacionais. 

Saiba mais sobre o futuro da IA na Administração Pública. Leia o documento na íntegra.

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Página inicial da plataforma iAP num portátil

 

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